Publicado em: quinta-feira, 03 de agosto de 2023

As fibras são carboidratos que não são digeridos por enzimas dos mamíferos e necessitam da ajuda dos microrganismos presentes no rúmen para a digestão. A maior parte delas estão localizadas na parede celular das plantas, protegendo o conteúdo celular e dando sustentação. São formadas principalmente por: Celulose, Hemicelulose, Lignina, Frutosanas e Pectinas β Glucanas. Alguns destes carboidratos, como a celulose, existe em grande quantidade na natureza, fornecendo assim aos ruminantes, volume de alimentos e capacidade de sobreviverem da utilização de carboidratos que não seriam aproveitados por diversas espécies de animais com apenas um estômago (monogástricos como aves e suínos).

As fibras são de grande importância para os ruminantes, pois servem como substrato para microrganismos dentro do rúmen produzirem ácidos graxos voláteis (AGV): Acetato, Propionato e Butirato. Eles geram até 95% da energia necessária para crescimento, ganho de peso e desempenho dos animais. A proporção entre cada tipo de AGV produzido está relacionada a composição da dieta, sendo que, dietas com maiores teores de fibras a concentração de acetato será maior.

Nas dietas a qualidade das fibras determinam o tempo de degradação no rúmen e a quantidade de ingestão de alimento. Assim é muito importante utilizarmos fibras de boa qualidade para não limitar o desempenho dos animais. Fibras com menos digestibilidade ficam mais tempo no rúmen ocupando espaço físico, demorando um tempo maior para serem digeridas e reduzindo consumo pelo animal. Elas possuem baixa taxa de degradação pelos microrganismos, produzindo pequena quantidade de Ácidos Graxos Voláteis e proteína microbiana.

A qualidade e digestibilidade das fibras variam conforme a espécie e maturidade da planta. Como exemplo entre espécies diferentes, podemos citar as fibras da silagem de milho em ponto de colheita adequado, que são de melhor qualidade quando comparadas às fibras da cana de açúcar. Outro exemplo relacionado a maturidade, são as fibras de capim mombaça com 90 dias, que são melhores quando comparadas a de um capim mombaça de 150 dias. A menor digestibilidade está associada a concentração maior de lignina em algumas espécies de forrageiras e também maior deposição de acordo com a maturidade. Nas análises podemos estimar as qualidades das fibras analisando os valores de Fibra em Detergente Ácido (FDA), Lignina, FDN e digestibilidade do FDN.

A característica mais importante das fibras é possuir propriedades físicas para promover a formação de uma camada de partículas na superfície do conteúdo ruminal (Tapete Fibroso). Esta camada ficará retida no rúmen e retículo por um período maior, estimulando o retorno do alimento até a boca para ocorrer a remastigação. Esta nova mastigação, também chamada de ruminação, serve para expor o conteúdo celular para o melhor ataque dos microrganismos e alcançando o tamanho adequado para seguir para os próximos pré-estômagos até a digestão química no abomaso.

Bovinos alimentados com quantidades adequadas e características físicas ideais de fibras, irão ruminar durante um tempo maior e neste momento é produzida maior quantidade de saliva podendo chegar de 110 a 360 litros por dia. Esta saliva é composta por grande volume de bicarbonato, que servirá como o principal regulador de pH do rúmen. Através da saliva, os ruminantes também conseguem reciclar nutrientes como o Fósforo e Nitrogênio.

As Fibras são as principais responsáveis pelo bom funcionamento do rúmen. Quando utilizamos formulações adequadas, podemos prevenir e impedir que desordens digestivas como Acidose e Timpanismo ocorram durante o período de confinamento. Estas desordens ocorrem quando utilizamos na dieta uma elevada inclusão de concentrado (carboidratos de degradação rápida) e baixa inclusão de fibras (carboidratos estruturais de degradação lenta). Assim, este desbalanço irá diminuir a ruminação, resultando em menor produção de saliva. A alta velocidade de fermentação do concentrado leva a formação de grande volume de ácidos, diminuindo pH ruminal e levando ao quadro de acidose. Animais com acidose diminuem ingestão de alimentos, digestibilidade de alimentos, diminuem ganho de peso e ainda podem desenvolver quadros de Ruminite e suas complicações como Laminite e abcessos hepáticos. Também temos casos de desequilíbrios na dieta com alta inclusão de concentrados ou forrageiras altamente fermentativas que podem levar a quadros agudos de Timpanismo, que necessitam de intervenção rápida para não ocorrer morte dos bovinos.

A quantidade e a qualidade de fibras utilizadas na dieta são determinantes na saúde do rúmen e nos resultados durante o período de confinamento. É imprescindível produzir fibras de boa qualidade para que possamos incluir volumes adequados na dieta, promovendo um ambiente ruminal saudável, diminuindo custos sem comprometer desempenho.

Eder Pereira Pimenta

Médico veterinário

Departamento técnico de Nutrição do Grupo Matsuda

Graduado Pela universidade Estadual de Londrina (UEL)

Escrito por:
Grupo Matsuda

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