A importância do controle estratégico dos parasitos de bovinos

Os parasitos existem tanto no reino vegetal quanto animal, podendo infestar uma ou mais espécies e, desta forma, a bovinocultura também sofre com estas infestações/infecções parasitárias

Parasitos são organismos que vivem em associação com outros seres vivos denominados hospedeiros e destes retiram os nutrientes necessários para sua sobrevivência e reprodução, prejudicando desta forma o organismo hospedeiro. Os parasitos existem tanto no reino vegetal quanto animal, podendo infestar uma ou mais espécies e, desta forma, a bovinocultura também sofre com estas infestações/infecções parasitárias, que podem ocorrer com a presença de uma ou várias espécies de parasitas.

Os parasitos podem ser divididos em ectoparasitas, que são aqueles que vivem na superfície ou cavidades dos hospedeiros e, também em endoparasitas, aqueles que vivem dentro do hospedeiro. Na bovinocultura, os principais parasitas externos, que causam grande prejuízo são os carrapatos (Rhipicephalus microplus), bernes (Dermatobia hominis), miíases - também conhecido como bicheira (Cochliomyia hominivorax), moscas dos chifres (Haematobia irritans) e moscas dos estábulos (Stomoxys calcitrans).

Já os parasitos internos, também conhecidos popularmente como vermes, podem se instalar em vários órgãos dos animais, como o trato digestório, pulmões, fígado, bem como nos músculos.

Todos estes parasitos causam um grande prejuízo a pecuária nacional, principalmente devido a perda de produtividade dos animais. Estes prejuízos são ocasionados devido não só a competição que o parasito causa com o hospedeiro pelos nutrientes, mas também devido ao estresse que ocasionam aos animais, impactando, por exemplo, na ingestão de alimento.

Cada espécie parasitária apresenta características morfológicas, alimentares e ciclo de vida próprios. Uma característica importante está relacionada ao seu ciclo de vida, onde boa parte destes, apresenta um ciclo de vida dividido em duas fases, a fase parasitária – parte da vida que o parasita passa no hospedeiro, e não parasitária – parte da vida no ambiente.

Estas características dos parasitos são muito importantes para que se possa realizar o controle de cada uma destas fases de vida.

No ano de 2014, o professor Laerte Grisi da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), publicou um estudo apontando que a perda ocasionada pelos parasitos de bovinos no Brasil chegava a quase 14 bilhões de dólares, sendo que os parasitos gastrointestinais representam 51% deste prejuízo, seguidos pelos carrapatos (23%), moscas dos chifres (18%), mosca do berne (3%), mosca da bicheira e mosca dos estábulos (ambas representando 2,5%).

Além dos prejuízos ocasionados diretamente pelos parasitas acima descritos, alguns destes podem ser vetores de outras patologias, como é o caso da tristeza parasitária bovina, que pode ser transmitida pela picada do carrapato, ou mesmo a tripanossomose bovina, que pode ser transmitida através da picada de uma mosca.

Como os parasitos gastrointestinais representam a maior parcela de prejuízos desencadeados na pecuária nacional, é de suma importância que o seu controle no rebanho seja realizado de maneira correta, buscando-se associar outros fatores, como por exemplo, o manejo nutricional adequado e o tratamento estratégico.

Mas, quando pensamos no controle da parasitose gastrointestinal bovina, ainda nos deparamos com muita inconsistência nas medidas adotadas, sendo que boa parte desta inconsistência está associada ainda a desinformação e ao uso indiscriminado de antiparasitários, que comprometem a eficiência no uso de princípios ativos. Estas informações são observadas em um estudo publicado em 2009 pelo Dr. Francisco Eduardo da Fonseca Delgado da Universidade Federal de Minas Gerais, na Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária.

Dentre as metodologias de controle parasitário devemos destacar quatro protocolos, sendo estes o preventivo, curativo, estratégico e tático.

O protocolo preventivo baseia-se na utilização de medicamentos antiparasitários em intervalos pré-estabelecidos, durante todo o ano. Este tipo de procedimento pode implicar em aplicações desnecessárias, além do risco de criar resistência na população de parasitos incidentes no rebanho.

O protocolo curativo é realizado com aplicações apenas quando ocorrem sinais clínicos, buscando minimizar os custos de tratamento. No entanto, a alta prevalência de casos subclínicos no rebanho, associada a alta contaminação por ovos nas pastagens, acabam inviabilizando esta estratégia.

Pensando-se no protocolo estratégico, este é baseado na prevenção de novas infestações de pastagens e apresenta resultados a médio e longo prazo. Sua principal característica, é a utilização racional de medicamentos antiparasitários e manutenção de cargas parasitárias compatíveis com a produção animal, apresentando, com isso, o melhor custo benefício.

Já o protocolo tático, é aquele onde os animais são dosificados quando alguma condição ambiental favorece o desenvolvimento dos parasitos ou quando práticas de manejo, como entrada em novas pastagens ou confinamento, rotação ou compras de animais torna oportuna a aplicação.

Como observado, uma das formas mais eficientes para o controle da parasitose bovina é a adoção do controle estratégico, buscando-se o controle da população de parasitas não só no hospedeiro, mas também no ambiente. De forma pontual, o controle tático também deve ser adotado em algumas situações, como descritas anteriormente.

Como o controle estratégico busca minimizar não só a infestação dos hospedeiros, mas também a população no ambiente, é muito importante que se conheça a relação existente entre o hospedeiro, o ambiente e o ciclo de vida do parasito.

Como é sabido, os parasitos gastrointestinais(helmintos) adultos parasitam os animais e contaminam o ambiente através de ovos que são eliminados pelas fezes para o ambiente. No ambiente, ainda no bolo fecal, estes ovos eclodem e formam larvas que após um período variável de tempo, se tornarão infectantes. Se as condições de umidade e temperatura (20 – 30oC) são adequadas, o desenvolvimento até larva infectante ocorre em quatro a sete dias. Em condições normais, estas larvas infectantes podem sobreviver nas pastagens por até três meses.

As larvas infectantes então migram do bolo fecal para a pastagem próxima, onde são ingeridas pelos bovinos, penetrando na parede do abomaso ou intestino, ou ainda, permanecendo nas vilosidades intestinais, onde ainda realizarão duas mudas até tornarem-se adultos machos e fêmeas, em cerca de três a quatro semanas.

Os vermes adultos então realizam a copula e em poucos dias as fêmeas voltam a depositar ovos, iniciando-se um novo ciclo evolutivo. O número de ovos produzidos por cada espécie de helmintos varia de centenas a milhares a cada dia dependendo da espécie.

Diversos estudos de recuperação na pastagem de larvas infectantes, demonstraram estreita relação na recuperação destas larvas com a precipitação pluviométrica, ou seja, nos meses onde ocorre os maiores níveis de precipitação há uma maior população de larvas infectantes nas pastagens, assim como nos meses de seca, o número de larvas diminui. Conclui-se então que no período de seca, tem-se menor infestação no ambiente e devido ao ambiente mais hostil para as larvas, este é um momento favorável para uma melhor eficiência no controle destes parasitos, haja vista que diminuindo-se a população de helmintos no hospedeiro e a baixa carga de larvas no ambiente, tem-se um menor nível de reinfestação no hospedeiro, assim como, do ambiente.

Com esta informação, alguns protocolos de controle estratégico foram traçados, como o protocolo 5–7–9 (maio/julho/setembro) e 5–8–11 (maio/agosto/novembro). Ambos os protocolos, seguindo-se os meses, são recomendados para serem implementados no Brasil Central, região brasileira que apresenta os meses de junho, julho e agosto como os mais secos. Estes visam a aplicação de antiparasitários no início da estação seca, na estação seca já estabelecida e no final da estação de seca ou no início da estação chuvosa. Com base nestas informações, estes protocolos de controle estratégico, podem ser ajustados para outras regiões brasileiras, conforme os meses de maior ou menor incidência pluviométrica.

No início da estação de seca, é interessante que se utilize endectocidas a base de Ivermectina na concentração de 1% (Ivermectina Matsuda) ou 4% (Endomec Matsuda) ou mesmo Abamectina 1% (Abamectina Matsuda), uma vez que estes têm eficiência no controle de parasitos internos e externos, melhorando assim o desempenho produtivo no período de maior desafio nutricional que é o período seco do ano. Já no ápice da seca, uma estratégia interessante é a utilização de produtos a base albendazol (Albendazole Matsuda), uma vez que nesta época do ano, os ectoparasitas não apresentam altas infestações, mas tem-se maiores infestações de parasitos gastrointestinais no hospedeiro. Desta forma, o albendazol é uma estratégia muito interessante por ter ação não só sobre os parasitos gastrointestinais e pulmonares adultos, mas também apresentando eficácia sobre ovos e larvas.

Na entrada da estação chuvosa, os endectocidas podem ser novamente utilizados, pensando-se no controle das populações não só de parasitos gastrointestinais, mas também auxiliando no controle de parasitos externos, como os carrapatos. Associado ao controle dos parasitos internos, é sempre importante que se realize o controle dos parasitos externos, como as moscas dos chifres, que causam grande incômodo e estresse aos animais, sendo que para isso, pode-se fazer uso de produtos “pour-on” a base de cipermetrina (Cipermetrina Pour-On Matsuda).

Ainda, devemos lembrar do controle tático, que deve ser adotado quando há a introdução de novos animais na propriedade, ou mesmo quando os animais adentrarão a novas pastagens e confinamento. A utilização de endectocidas é indicada, uma vez que apresentam ação sobre não só os parasitos gastrointestinais, mas também auxiliam no controle de parasitos externos. Para animais de cria e recria, deve-se utilizar ivermectina 4% (Endomec Matsuda), uma vez que esta apresenta maior período de ação, sendo que para animais de engorda e terminação, deve-se utilizar ivermectina ou abamectina 1% (Ivermectina Matsuda e Abamectina Matsuda).

Desta forma, para que possamos ter boa produtividade do rebanho, é importante que adotemos um protocolo estratégico para o controle dos parasitos que acometem os bovinos, visando minimizar ao máximo o prejuízo que estes podem ocasionar aos animais, sendo que para isso a Matsuda está à disposição dos produtores com sua linha de produtos para bovinos.

Marco Antônio Finardi

Médico Veterinário

MSC em Produção Animal




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