Publicado em: quinta-feira, 23 de maio de 2024

A ovinocultura brasileira, segundo dados do IBGE 2022, é composta por 21,5 milhões de cabeças, sendo que a região Nordeste do país detém 69,9% do rebanho, seguido pela região Sul, com 19,8%. Destacam-se como grandes estados produtores de ovinos, a Bahia (21,7% do rebanho nacional), Pernambuco (16,4%), Rio Grande do Sul (15,6%), Ceará (11,8%) e Piauí (8,2%), estados estes onde as condições climáticas e geográficas favorecem a criação. No entanto, há atividade em todos os estados brasileiros.

Dentre as raças criadas no Brasil incluem a Santa Inês, Dorper, Texel, Suffolk, Bergamácia, Ile de France, entre outras. Cada uma destas, apresentam características específicas que a tornam adequada para diferentes sistemas de produção e necessidades do mercado.

A produção de carne ovina tem crescido no Brasil, impulsionada pelo aumento do consumo interno e pela demanda externa. Além disso, a produção de lã continua sendo uma atividade importante em algumas regiões, embora tenha perdido espaço para fibras sintéticas em muitos mercados.

Apesar dos desafios, como a falta de infraestrutura adequada e a concorrência com outras fontes de proteína animal, a ovinocultura brasileira apresenta potencial para crescimento, especialmente com o aumento do interesse por alimentos mais saudáveis e sustentáveis. A adoção de práticas modernas de manejo e tecnologia pode ajudar a impulsionar ainda mais a indústria ovina no país.

Como é sabido, os ovinos são animais herbívoros ruminantes e desta forma, tem como principal característica a ingestão de alimentos vegetais, como pastagens, feno, silagem e cereais. O processo digestório envolve todos os compartimentos estomacais como todo ruminante, composto por rúmen, retículo, omaso e abomaso.

O rúmen é o primeiro e o maior compartimento do estômago dos ruminantes. É neste órgão que ocorre a fermentação microbiana da matéria vegetal consumida. O rúmen contém uma população diversificada de microrganismos, como bactérias, fungos e protozoários, que ajudam a quebrar a celulose e outras fibras vegetais em produtos digeríveis pelos ovinos. O retículo está localizado logo abaixo do rúmen, sendo responsável pela movimentação do alimento e pela formação do bolo alimentar durante o processo de ruminação. Ele tem uma estrutura em forma de favo de mel que ajuda a reter partículas grandes de alimento para uma posterior mastigação, denominada ruminação.

O omaso, que popularmente é conhecido como "folhoso" ou "livro”, é responsável pela absorção de água e nutrientes do alimento parcialmente digerido. Ele contém várias dobras internas que aumentam a área de superfície disponível para a absorção. O abomaso é o quarto e último compartimento do estômago dos ruminantes e é análogo ao estômago monogástrico (de um único compartimento) de outros animais, como os humanos. Ele é responsável pela digestão final das proteínas, gorduras e carboidratos, por meio da ação de enzimas digestivas produzidas pelo próprio animal.

Embora os ovinos apresentem uma capacidade notável de digerir fibras vegetais, existem vários fatores que podem limitar a eficiência e a adequação de sua dieta. Desta forma, é importante que os produtores monitorem de perto a qualidade e a composição da dieta de seus ovinos e façam ajustes conforme necessário para garantir uma nutrição adequada. Dentre estes fatores existem os seguintes pontos:

  1. Qualidade da forragem: A qualidade nutricional da forragem disponível é um fator crucial. Forragens de baixa qualidade, com baixo teor de nutrientes e alto teor de fibras indigestíveis, podem limitar a capacidade dos ovinos de atender às suas necessidades nutricionais. Estas características nas plantas, podem ocorrer tanto no período de águas, como também na transição águas seca e também na seca, mas é mais comum no período de secas.
  2. Fibra em excesso: Embora os ovinos precisem de uma dieta rica em fibras, um excesso de fibra pode limitar a ingestão de alimentos. Isso ocorre porque a fibra pode encher o rúmen rapidamente, reduzindo a capacidade do animal de consumir alimentos em quantidade suficiente para atender às suas necessidades energéticas. Esta é uma característica que as forragens apresentam principalmente no período de seca.
  3. Toxinas e antinutrientes: Algumas plantas contêm toxinas ou antinutrientes que podem ser prejudiciais para os ovinos. Essas substâncias podem interferir na digestão e na absorção de nutrientes, limitando a eficiência alimentar e causando problemas de saúde.
  4. Deficiências nutricionais: Dietas desequilibradas podem levar a deficiências de nutrientes essenciais, como proteínas, energia, minerais e vitaminas. Isso pode afetar negativamente o crescimento, a reprodução e a saúde geral dos ovinos. Comumente como os animais consumem um único alimento, como por exemplo, as pastagens, estas podem não fornecer todos os nutrientes nas proporções adequadas para um alto desempenho produtivo, sendo necessário complementações na dieta dos animais.
  5. Acesso limitado à água: A água é essencial para a digestão e o metabolismo adequados dos ovinos. A falta de acesso adequado à água pode limitar a ingestão de alimentos e levar a problemas de saúde, como desidratação e distúrbios digestivos. Desta forma, os animais devem ter acesso irrestrito a fonte de água, que deve ser de boa qualidade.
  6. Problemas de palatabilidade: Alguns alimentos podem não ser palatáveis para os ovinos, o que significa que eles podem recusar-se a comê-los. Isso pode ser um desafio ao tentar introduzir novos alimentos na dieta dos ovinos.
  7. Disponibilidade sazonal de alimentos: Em certas regiões, a disponibilidade de forragem e outros alimentos pode variar ao longo do ano devido a mudanças climáticas. Isso pode exigir estratégias de manejo para garantir que os ovinos recebam uma nutrição adequada durante todo o ano. Com base nestas informações, é extremamente importante que se tenha um acompanhamento rigoroso quanto a qualidade dos alimentos ofertados aos ovinos, de modo a que se possa ajustar a alimentação destes para que se tenha sempre alta produtividade.

Além disso, um dos pontos importantes a serem destacados na dieta de ovinos, são os minerais, nutrientes requeridos em pequenas quantidades, quando comparados a outros nutrientes, mas fundamentais para que se tenha saúde e produtividade. De um modo geral, os alimentos fornecidos aos ovinos não conseguem atender totalmente o requerimento mineral destes animais, o que acaba por limitar a produção.

Assim, é importante que na dieta destes animais, forneça-se um suplemento mineral apropriado, como produtos de pronto uso, onde este ficará à disposição dos animais em um cocho apropriado, ou mesmo fornecido através da dieta total. Deve-se sempre lembrar que para isso, deve-se fazer uso de suplementos específicos, formulados exatamente para ovinos para que assim, possa-se fornecer todos os minerais essenciais em quantidades adequadas.

Dentro do portifólio de produtos de Nutrição Animal da Matsuda, temos estes produtos que atenderão as necessidades dos animais, como o Matsuda Top Line Ovino, Matsuda Top Ovino Acabamento e também o Matsuda Vitta Ovino.

Mas, além da escolha de um suplemento mineral apropriado, é importante que o fornecimento seja feito de forma adequada, onde os animais devem ter acesso ao suplemento de forma irrestrita, e que se acompanhe o consumo, para verificar se os animais estão consumindo o suplemento na proporção adequada, pois somente desta forma, receberão a carga mineral correta.

Marco Antonio Finardi Médico Veterinário do Grupo Matsuda formado pela Unoeste, Universidade do Oeste Paulista MSc. em Ciência Animal, com ênfase em produção

Escrito por:
Méd. Vet. Marco Finardi

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